“A pessoa é bela, não pela beleza dela, mas pela beleza dos olhos que a vêem, que se refletem nela”.
Amor é conceito de significado e significância muito elevados para o atual grau evolutivo médio da humanidade. Por isso, tanto desamor em nosso meio. É como se ele não estivesse ao nosso alcance. O que entendemos por amor pouco difere de nossas instintivas paixões. Interesseiros mesquinhos, somos muito egoístas para amar. Portanto, é muito difícil, senão quase impossível para nós o amor verdadeiro.
Para que alcancemos algum dia capacidade de verdadeiramente amar, devemos começar nosso “amarás...”, aprendendo algo sobre um seu parente hierárquico de mais fácil apreensão aos nossos sentidos adormecidos. O respeito.
Dignidade é dos bens mais preciosos que temos. Sem ela estamos desvalorizados e desestimulados. Vem o pior. Com ela, é como se acendesse uma luz em nossa esperança. Com ela parece que vamos conseguir chegar lá. Parece que podemos e merecemos e, com isso, é só partir em busca daquilo que almejamos.
A dignidade é o catalisador que acende e faz vibrar o bem que subjaz oculto e latente em nós. Entretanto , nos primeiros passos do aprendizado, nossa dignidade não deveria ser vista pelos nossos próprios olhos, senão incorreríamos no risco da soberba vã; melhor que ela fosse revelada pelos olhos de outrem, até que nos convencêssemos de sua real presença em nós; assim como a dignidade alheia deveria ser vista pelos nossos olhos para desenterrá-la e despertá-la nos outros e em nós.
Desta forma considerando, onde se insere o título deste texto? O respeito se deve e se dirige a nossa dignidade que, muito além de qualquer falso verniz, realmente existe e é buscada por cada um de nós. Se soubéssemos vê-la com bons olhos, ela se apresentaria facilmente na maioria das pessoas e, mesmo com alguma resistência, em outras. Mas nenhum obstáculo lhe resistiria à revelação.
Os corações se abririam e estaria aberta uma nova etapa na história. A era da dignidade humana. E nós nos amaríamos por isto. E tudo seria leve, como leve seria o nosso olhar e divina a nossa visão. Um grande passo no caminho de nossa humanização.
Não há quem não se entusiasme com o reconhecimento da dignidade em si. É como se um velho sonho estivesse se materializando. Mesmo que este sonho fosse inconsciente. Mesmo que jamais suspeitássemos que nosso maior sonho, que nossa maior procura, que nosso maior vazio seja a ausência da percepção de que podemos ser dignos, capazes de vivenciar o respeito que tanto lutamos para alcançar.
RBPM 28 VIII 2010
Nenhum comentário:
Postar um comentário