quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Dignidade



“Onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”.
                                                 
“Não julgueis que vim trazer a paz à Terra. Vim trazer não a paz, mas a espada”.



Dignidade, em grau superlativo, na mais real, extrema e excelente acepção da palavra, é a nossa divindade revelada em todo nosso ser. É a nossa divindade retratada em todos os nossos atos, sentimentos, pensamentos e palavras. A pura expressão do mais divino discernimento e amor em nós. Muito embora, seja também dignidade qualquer esforço que nos eleve a uma melhor postura e conduta diante da vida.

Somos morada do espírito e, sendo Deus espírito puro, somos habitados por esta pureza divina. No entanto, ao agirmos, indefinidamente aéticos, como seres imperfeitos, aviltamos nossa divindade, aviltamos nossa dignidade; tornamo-nos menos, inferiorizamo-nos.

Dignidade é sermos o melhor que pudermos. E o roteiro mais certeiro para tanto, consiste em, ao trabalhar o nosso ser: ver nascer e receber o menino Jesus em nossos corações; vê-lo crescer, tornar-se adulto, manifestar-se; sabê-lo como caminho, verdade e vida. Tê-lo como guia e mestre a nos ensinar o amor como sendo o ambiente divino. E, estudada, sentida e aprendida a lição, ambientar, cada vez mais, o divino em nossos sentimentos e entendimento. Despedirmo-nos do nosso eu inferior e libertarmo-nos da ignorância que nos avilta, para que possamos lúcidos, nos devotar à evolução consciente rumo ao nosso destino maior.

            Há um longo caminho a percorrer até chegarmos a este nível de dignidade. Nos primeiros passos da caminhada, é mister percebermos e reconhecermos nossas deficiências e propensões negativas e transformarmo-nos; transformando, passo a passo, estas deficiências verificadas, em virtudes, enquanto nos vamos tornando, a cada passo, nas pegadas do mestre, homens de reto proceder. Dignos homens de bem.

É trabalho para gente corajosa e determinada. Muitos são os obstáculos a transpor. Não é fácil trocarmos nossos instintos primitivos e bestiais por uma melhor postura e conduta. Não é fácil ver razão na fé. Não é fácil substituirmos nosso orgulho por um correto senso de justiça, respeito e gratidão à vida que temos. Não é fácil substituir a inveja pela admiração. Não é fácil substituir a responsabilidade que atribuímos ao outro a nós mesmos.  Não é fácil ver e reconhecer a baixeza de nossos sonhos, nosso egoísmo, nossos medos, nossa personalidade arrogante, cega, vaidosa e vil.

Quanta ignorância, quanta desídia. A rigor, esta vida que, de ordinário, levamos, se passada a limpo, seria escândalo estampado nas matérias sensacionalistas de jornal. Uma vergonha sem fim, a perturbar-nos toda a economia interna, a aviltar-nos em nossa dignidade.

Há muito trabalho de burilamento a ser feito em nosso ser. Não sejamos pródigos em relação ao nosso bem maior, a vida que, ainda agonizante, reclama-nos a dignidade de assumi-la responsavelmente; sob pena de demorarmo-nos inúteis à vida e a nós mesmos; produzindo e arrostando, ainda mais, miséria moral e dor.                                      


RBPM 31 VIII 2010

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Esperança


Ao povo que escolher ser livre, Deus escolheu. E revelou-se a este povo.







Espera sempre o melhor, pois ele sempre te espera. A cada dia, bem cedo, a vida aguarda nossas escolhas. Podemos ser tristes e reclamar, ou alegres e agradecer, ou...

Projetamos o nosso futuro tendo como referência imagens formadas em nossa mente, ou seja, construídas por nossa mente. Se estas imagens estiverem, de alguma forma, adulteradas por alguma má impressão ou má interpretação, será difícil ter vivido bem e, mais difícil ainda, projetar algum futuro que nele possamos depositar melhor expectativa ou que nos entusiasme.

Partindo do princípio de que tudo o que nos chega através dos sentidos é interpretado pela mente, podemos considerar a possibilidade de esta interpretação ser de má qualidade. E, se, de modo geral, o for, teremos vivido muito mal e invariavelmente teremos muita dificuldade para projetar ou realmente esperar melhor futuro.

Lembro-me daquela estória genial, que alternava vários episódios, onde aquilo que parecia ser bom revelava-se, depois, ruim e aquilo que parecia ser ruim, a salvação da lavoura. Mostrando claramente como podemos nos confundir ao interpretar os acontecimentos que se dão em nossas vidas:

“Em um lugarejo, alguns homens ganharam botas, João, que não as ganhara, protestava, sou sem sorte. Algum tempo depois, havendo guerra, todos os que ganharam botas foram convocados para o exército; e João que não tinha botas, bendizia, sou de sorte. Acabada a guerra, seus soldados foram condecorados e regiamente premiados com vários privilégios; João reclamava, sou sem sorte. Porém, em algum tempo, um por um dos combatentes era acometido por estranha doença adquirida nas trincheiras, e João se perguntava como deveria avaliar sua sorte”.

Faz-se necessária, então, criteriosa reavaliação de como temos interpretado a vida, o significado de seus sucessos, a revisão de conceitos, a limpeza dos programas e condicionamentos mentais que impossibilitam melhor perspectiva e visão.

Todos queremos uma vida melhor. Mas como alcançá-la com o nosso velho olhar? Interpretação! Um novo olhar. Eis o segredo. Devemos rever toda a nossa história de vida e dar-lhe melhor interpretação. Podemos com isso, reeditar as imagens que trazemos como quadros que contam nossa história. Podemos alterar nosso passado e, conseqüentemente, nosso presente. E, se utilizarmos melhor senso, compreendendo a grandeza de nossas vidas, projetar melhor nosso futuro e, com inquebrantável esperança e vontade, reinventar o bem-viver.



RBPM 29 VI 2009 

Humildade


 Soberba é a arrogância de quem se supõe superior.
                                                     
 “Bem aventurados os pobres de espírito, pois é deles o reino dos céus”.




A humildade é a postura correta dos que têm o conhecimento e o reconhecimento de estarem submetidos ao Poder de Deus, apenas ao Poder de Deus. Os verdadeiramente humildes, as almas gratas que se sabem ligadas ao Pai.

Já as almas que se fiam nas ilusões “tão concretas” deste mundo, as que não se sabem filhas, se crêem relegadas à sorte dos órfãos da paternidade divina, insensíveis à íntima dependência. Estas, com o seu ver errado, tateando no escuro, buscam o próprio “poder”. Não vivem, apenas sobrevivem num mundo pobre de valores, mísero de perspectivas, onde as vitórias alcançadas não têm vida longa. Sobrevivem enquanto sobrevivem as presunçosas ilusões, alimentadas pelo orgulho ignorante que constrói castelos de areia na areia.

Associamos humildade com inferioridade, submissão e pobreza, no entanto, ela está relacionada com distinção, gentileza, lucidez e simplicidade. Não é posse material, mas realidade interna.

Nada pode sozinho o homem. O Poder só a Deus pertence. Humildemente ligados a Ele, temos, derivada deste Poder, força. Não Poder. Esse só Ele o tem.

Está aí a razão da loucura que se verifica no homem. Orgulhoso, tem a presunção do poder. Busca-o insanamente sem jamais alcançá-lo. Frustrado, desilude-se com a vida. Porém, jamais teve vida. Desiludiu-se com o que julgava ser vida. Lutou, competiu, até com Deus, deu todo o seu sangue e no fim... fósforo queimado...  belo túmulo.

             A obra a que deve se dedicar o homem é erigir-se a si mesmo. Elevar-se humildemente. Iluminar-se. Ter fé. Reconhecer-se pobre de espírito e buscar o divino que há em si.

Presunçoso e por mera suposição de valor, infundado valor, o orgulho do homem e seu exagerado amor-próprio que o fazem ter elevado conceito de si, confundem a ostentação e a soberba da vanglória com sucesso e felicidade;  atributos exclusivos do espírito.

Felicidade só a alcança o humilde. O sentimento da verdadeira dignidade só o tem quem, primeiro, tem gratidão à vida, fé, generosidade, coragem e humildade de submeter-se ao Poder de Deus. O pobre de espírito. Este o forte, o humilde.                                                                                         
                                    
                                                                                       

        
 RBPM 11 VI 2009