“Onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”.
“Não julgueis que vim trazer a paz à Terra. Vim trazer não a paz, mas a espada”.
Dignidade, em grau superlativo, na mais real, extrema e excelente acepção da palavra, é a nossa divindade revelada em todo nosso ser. É a nossa divindade retratada em todos os nossos atos, sentimentos, pensamentos e palavras. A pura expressão do mais divino discernimento e amor em nós. Muito embora, seja também dignidade qualquer esforço que nos eleve a uma melhor postura e conduta diante da vida.
Somos morada do espírito e, sendo Deus espírito puro, somos habitados por esta pureza divina. No entanto, ao agirmos, indefinidamente aéticos, como seres imperfeitos, aviltamos nossa divindade, aviltamos nossa dignidade; tornamo-nos menos, inferiorizamo-nos.
Dignidade é sermos o melhor que pudermos. E o roteiro mais certeiro para tanto, consiste em, ao trabalhar o nosso ser: ver nascer e receber o menino Jesus em nossos corações; vê-lo crescer, tornar-se adulto, manifestar-se; sabê-lo como caminho, verdade e vida. Tê-lo como guia e mestre a nos ensinar o amor como sendo o ambiente divino. E, estudada, sentida e aprendida a lição, ambientar, cada vez mais, o divino em nossos sentimentos e entendimento. Despedirmo-nos do nosso eu inferior e libertarmo-nos da ignorância que nos avilta, para que possamos lúcidos, nos devotar à evolução consciente rumo ao nosso destino maior.
Há um longo caminho a percorrer até chegarmos a este nível de dignidade. Nos primeiros passos da caminhada, é mister percebermos e reconhecermos nossas deficiências e propensões negativas e transformarmo-nos; transformando, passo a passo, estas deficiências verificadas, em virtudes, enquanto nos vamos tornando, a cada passo, nas pegadas do mestre, homens de reto proceder. Dignos homens de bem.
É trabalho para gente corajosa e determinada. Muitos são os obstáculos a transpor. Não é fácil trocarmos nossos instintos primitivos e bestiais por uma melhor postura e conduta. Não é fácil ver razão na fé. Não é fácil substituirmos nosso orgulho por um correto senso de justiça, respeito e gratidão à vida que temos. Não é fácil substituir a inveja pela admiração. Não é fácil substituir a responsabilidade que atribuímos ao outro a nós mesmos. Não é fácil ver e reconhecer a baixeza de nossos sonhos, nosso egoísmo, nossos medos, nossa personalidade arrogante, cega, vaidosa e vil.
Quanta ignorância, quanta desídia. A rigor, esta vida que, de ordinário, levamos, se passada a limpo, seria escândalo estampado nas matérias sensacionalistas de jornal. Uma vergonha sem fim, a perturbar-nos toda a economia interna, a aviltar-nos em nossa dignidade.
Há muito trabalho de burilamento a ser feito em nosso ser. Não sejamos pródigos em relação ao nosso bem maior, a vida que, ainda agonizante, reclama-nos a dignidade de assumi-la responsavelmente; sob pena de demorarmo-nos inúteis à vida e a nós mesmos; produzindo e arrostando, ainda mais, miséria moral e dor.
RBPM 31 VIII 2010
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